Blog · 09/09/2026 · 8 min de leitura

Dente do siso: quando tirar, quando não, e como é a extração

Nem todo siso precisa sair. Este artigo explica quando a extração é indicada, quando ela pode esperar, como é a cirurgia e o que esperar nos dias seguintes.

Quantos
Até quatro, um em cada canto da boca
Quando nascem
Entre os 17 e os 25 anos, em geral
Precisa tirar?
Nem sempre. Depende da posição e do espaço
Cirurgia
Anestesia local, de 20 minutos a 1 hora por dente

O que é o dente do siso

O siso é o terceiro molar, o último dente de cada lado da arcada, em cima e embaixo. São até quatro, e eles nascem por último, em geral entre os 17 e os 25 anos. O nome vem daí: "siso" é juízo, e eles chegam quando a pessoa já deveria ter algum.

O problema é que, quando o siso resolve nascer, a boca já está pronta e ocupada. O maxilar humano ficou menor ao longo dos milênios, mas o número de dentes não mudou. Em muita gente simplesmente não sobra espaço, e o siso fica preso dentro do osso, nasce deitado, empurra o dente vizinho ou nasce só pela metade, com um pedaço de gengiva por cima. É por isso que ele é o dente mais extraído de todos.

Também existe gente que não tem siso nenhum, ou tem só dois. Isso é normal, e nesse caso não há nada a fazer.

Quando o siso precisa sair

A extração é indicada quando o dente está causando problema ou quando a radiografia mostra que vai causar. As situações mais comuns:

  • Siso incluso ou semi-incluso. Preso no osso ou nascido pela metade. O que nasce pela metade cria uma tampa de gengiva onde a comida entra e a escova não chega. Resultado: inflamação repetida, dor e mau cheiro. O nome disso é pericoronarite, e é a causa mais frequente de "dor de siso".
  • Siso deitado ou inclinado, encostando no dente da frente. Ele pressiona o segundo molar, pode causar cárie na raiz dele (que é difícil de tratar) e, com os anos, reabsorver a raiz do vizinho.
  • Cárie no siso que não dá para restaurar bem, porque ele fica tão no fundo que nem o dentista alcança direito, nem você na escovação.
  • Cisto ou lesão em volta do dente incluso, visível na radiografia panorâmica. É raro, mas quando existe, tirar o dente é a forma de tratar.
  • Tratamento ortodôntico em que o siso atrapalha o movimento dos outros dentes ou a estabilidade do resultado. Aqui a decisão é do ortodontista, caso a caso.
  • Antes de prótese ou de implante na região, quando o siso ficaria no caminho.

Quando o siso pode ficar

Aqui vale dizer o que muita gente não ouve: siso saudável, bem posicionado, que nasceu por completo e que você consegue escovar, não precisa sair. Ele funciona como qualquer outro molar. Tirar dente saudável só "por precaução" é uma cirurgia sem motivo.

Também existe o siso incluso que fica quieto: totalmente dentro do osso, sem cisto, sem encostar em ninguém, em pessoa mais velha. Nesse caso muitas vezes o caminho é acompanhar com radiografia de tempos em tempos, em vez de operar. A decisão pesa a idade (a cirurgia é mais simples e a recuperação mais rápida em quem tem menos de 25 anos, porque a raiz ainda não terminou de formar e o osso é menos denso), a posição do dente e a proximidade de estruturas como o nervo que passa dentro da mandíbula.

A radiografia panorâmica decide

Ninguém sabe o que fazer com um siso olhando só a boca. A panorâmica mostra se ele existe, em que posição está, quanto de raiz já formou, se encosta no vizinho e a que distância fica do nervo e do seio da face. Em casos de siso muito próximo do nervo, pede-se uma tomografia antes de operar. É esse exame, e não a idade nem o "todo mundo tira", que define se sai, quando sai e como sai.

Como é a extração do siso

É uma cirurgia feita no consultório, com anestesia local. Você fica acordado e não sente dor, só pressão e movimento. Quem tem muita ansiedade pode conversar sobre sedação, que é avaliada caso a caso.

  1. Avaliação e exames

    Consulta, radiografia panorâmica e, quando o dente está perto do nervo, tomografia. É aqui que se decide se os quatro saem de uma vez, dois por vez ou um só, e se algum deve ficar.

  2. Anestesia

    Local, na região do dente. Leva alguns minutos para pegar e é conferida antes de começar.

  3. Remoção

    Siso que já nasceu sai como outro dente qualquer. Siso incluso exige abrir a gengiva, às vezes remover um pouco de osso ao redor e, com frequência, dividir o dente em partes para retirar com menos trauma. Isso é técnica normal, não sinal de complicação.

  4. Pontos

    Quando a gengiva foi aberta, leva ponto. Alguns são absorvíveis, outros são retirados em cerca de sete dias.

  5. Duração

    De 20 minutos a uma hora por dente, conforme a posição. Dois sisos do mesmo lado costumam ser feitos na mesma sessão, para você se recuperar de um lado só por vez.

O que esperar nos dias seguintes

A recuperação leva de três a sete dias no geral, e o pior momento costuma ser o segundo e o terceiro dia, quando o inchaço chega ao máximo. Isso é esperado, não é sinal de problema.

  • Dor: controlada com a medicação prescrita. Começa quando a anestesia passa e diminui a cada dia.
  • Inchaço: aumenta até o terceiro dia e depois regride. Compressa fria por fora, nas primeiras 24 a 48 horas, ajuda a limitar.
  • Dificuldade de abrir a boca: comum, principalmente nos sisos de baixo. Melhora sozinha ao longo da semana.
  • Sangramento leve nas primeiras horas é normal. Sangramento que não para com a gaze comprimida por 30 minutos, não é.
  • Alimentação: fria ou morna, pastosa, nos primeiros dias. Sem canudo, porque a sucção desloca o coágulo que protege o osso.
  • Higiene: continua escovando os outros dentes. A região operada é limpa com cuidado, sem bochecho forte nas primeiras 24 horas.
  • Cigarro e álcool: atrapalham a cicatrização e são a principal causa de alveolite. Ficar sem eles por pelo menos uma semana faz diferença real.

Alveolite: o problema mais comum depois do siso

Depois da extração, o osso fica protegido por um coágulo. Quando esse coágulo se perde (por canudo, bochecho forte, cigarro ou sem motivo aparente), o osso fica exposto e dói muito, em geral a partir do terceiro dia, com dor que irradia para o ouvido e mau cheiro. Isso é alveolite. Não é infecção, é osso exposto, e o tratamento é na clínica: limpeza e um curativo dentro do alvéolo, que alivia rápido. Se a dor piorar depois do terceiro dia em vez de melhorar, é hora de voltar.

Riscos que merecem ser ditos

Toda cirurgia tem. Na extração do siso de baixo, o principal é a proximidade com o nervo que dá sensibilidade ao lábio, ao queixo e à língua. Em uma pequena parte dos casos pode haver dormência temporária nessa região, que costuma passar em semanas ou meses. Dormência permanente é rara, e é justamente para reduzir esse risco que se pede tomografia quando o dente está encostado no nervo. No siso de cima, o risco é a comunicação com o seio da face, que quando acontece é tratada na hora. Você deve ouvir sobre isso antes de assinar qualquer termo, não depois.

Na Adelar

A equipe tem cirurgiã bucomaxilofacial e cirurgiã-dentista dedicadas à cirurgia oral, com a avaliação, a panorâmica e o plano por escrito antes de qualquer procedimento. Se o seu siso pode ficar, você vai ouvir isso. Se precisa sair, você vai saber por quê, como e o que esperar depois. Conheça a equipe da clínica.

Revisado por Dra. Mariana Adelar, CRO-GO 16481, responsável técnica da Adelar Odontologia. Publicado em 09/09/2026.

Perguntas frequentes

Todo mundo precisa tirar o siso?

Não. Siso saudável, que nasceu por completo, na posição certa e que você consegue escovar, pode ficar e funciona como outro molar. A extração é indicada quando ele está incluso ou semi-incluso, deitado encostando no vizinho, com cárie que não dá para restaurar, com cisto ao redor ou quando atrapalha um tratamento ortodôntico ou uma prótese. Quem decide isso é a radiografia panorâmica, não uma regra geral.

Com que idade se tira o siso?

Quando há indicação, o momento mais favorável costuma ser entre os 17 e os 25 anos, porque a raiz ainda não terminou de formar e o osso é menos denso, o que deixa a cirurgia mais simples e a recuperação mais rápida. Isso não significa que todo jovem deva tirar, nem que adulto mais velho não possa: a idade é um dos fatores, junto com a posição do dente e a proximidade do nervo.

A extração do siso dói?

Durante a cirurgia, não: ela é feita com anestesia local, e você sente pressão e movimento, não dor. Depois que a anestesia passa há dor e inchaço, controlados com a medicação prescrita, que costumam ser maiores no segundo e no terceiro dia e diminuem ao longo da semana. Dor que piora depois do terceiro dia em vez de melhorar não é normal e merece retorno à clínica.

Quanto tempo leva a recuperação da extração do siso?

De três a sete dias para a maior parte das pessoas, com o pico de inchaço por volta do terceiro dia. Siso que já tinha nascido recupera mais rápido; siso incluso, que exigiu abrir gengiva e remover osso, leva mais. A cicatrização completa da gengiva leva algumas semanas, e a do osso, alguns meses, mas isso não interfere na rotina.

Pode tirar os quatro sisos de uma vez?

Pode, e algumas pessoas preferem resolver tudo numa cirurgia só, em geral com sedação. A alternativa mais comum é tirar dois do mesmo lado por vez, para você mastigar do outro lado durante a recuperação. A decisão depende da complexidade de cada dente, da sua saúde geral e da sua preferência, e é conversada na avaliação.

O que é alveolite e como evitar?

É a perda do coágulo que protege o osso depois da extração, deixando o osso exposto. Causa dor forte a partir do terceiro dia, que irradia para o ouvido, e mau cheiro. Para evitar: não usar canudo, não fazer bochecho forte nas primeiras 24 horas, não fumar e não beber álcool na primeira semana. Se acontecer, o tratamento é na clínica, com limpeza e curativo no local, e o alívio é rápido.

Avaliar o seu siso

Consulta, radiografia panorâmica e a resposta honesta: sai, fica ou acompanha. Se precisar sair, você recebe o plano por escrito, com o que esperar antes e depois.

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