Como o clareamento dental funciona
O clareamento age por química, não por cobertura nem por desgaste. Um gel de peróxido de hidrogênio ou de peróxido de carbamida penetra no esmalte e na dentina e quebra as moléculas de pigmento que se acumularam ali ao longo dos anos, vindas de café, chá, vinho, cigarro e do próprio envelhecimento do dente. Ele não pinta o dente por fora. E, feito com concentração, tempo e supervisão adequados, não remove estrutura dentária.
Isso explica duas coisas que muita gente estranha. Primeiro: o resultado não é um tom escolhido em catálogo. O gel clareia o que o seu dente tem de pigmento, e o ponto de chegada depende da cor de partida, do tipo de mancha e da espessura do esmalte de cada pessoa. Segundo: o que não é dente natural não clareia, porque resina e cerâmica não têm pigmento acumulado para o gel quebrar. Isso muda o plano de quem tem restauração nos dentes da frente, e é explicado mais abaixo.
Clareamento de consultório
Gel de concentração mais alta, aplicado pelo dentista com a gengiva protegida por uma barreira. Costuma ser feito em sessões de cerca de 40 a 50 minutos, em geral de duas a três, com intervalo de alguns dias entre elas. A vantagem é a mudança perceptível em menos tempo, com o profissional controlando cada aplicação e interrompendo se a sensibilidade aparecer. A desvantagem é justamente a chance maior de sensibilidade nos primeiros dias, por causa da concentração.
Quem tem um prazo, como um evento marcado, ou quem sabe que não vai manter a disciplina diária de uma moldeira, costuma se dar melhor com o consultório.
Clareamento caseiro supervisionado
Uma moldeira individual é feita a partir do molde ou do escaneamento dos seus dentes. Você recebe o gel, de concentração menor, e usa a moldeira por um tempo diário definido, em geral durante duas a três semanas, com retornos para acompanhar. A mudança é mais gradual e a sensibilidade tende a ser menor. A desvantagem é depender da sua constância: pular dias alonga o tratamento e deixa o resultado irregular.
O "supervisionado" não é detalhe de nome. A moldeira sob medida é o que mantém o gel sobre o dente e longe da gengiva. Gel comprado por conta própria, usado em moldeira genérica ou sem moldeira, escorre para a gengiva e queima o tecido mole. E a supervisão é o que garante que o gel não está sendo aplicado sobre uma cárie ou uma restauração infiltrada, por onde ele entra e a sensibilidade dispara.
As duas técnicas juntas
É comum combinar: sessões no consultório para a mudança inicial e a moldeira em casa para completar e, mais tarde, para manutenção. A escolha entre uma técnica, outra ou as duas é feita na avaliação, olhando a cor de partida, a sensibilidade que você já tem, as restaurações existentes e o seu prazo.
Nenhuma das técnicas dispensa a avaliação prévia. Cárie, restauração infiltrada, trinca no esmalte e gengiva inflamada precisam ser tratadas antes, porque o gel entra por onde não deveria e a sensibilidade dispara. Uma limpeza profissional antes também faz diferença: placa e tártaro sobre o dente impedem o gel de agir por igual, e o resultado sai manchado. Começar pelo gel, sem conferir isso, é a origem da maioria dos clareamentos que "deram errado".
Sensibilidade: o que esperar e como reduzir
É o efeito mais comum e costuma se manifestar como pontadas curtas ao ar frio ou a líquidos gelados, durante o tratamento e nos dias seguintes. Acontece porque o gel atravessa o esmalte e chega à dentina, que é sensível. Na maioria das pessoas passa sozinha depois que o clareamento termina.
- Antes: creme dental para dentes sensíveis nas semanas anteriores prepara o dente.
- Durante: dessensibilizante aplicado no consultório, intervalos maiores entre as sessões e concentração menor de gel.
- Se incomodar muito: o protocolo é ajustado, e não empurrado até o fim. Sensibilidade forte é sinal de parar e rever, não de aguentar.
O que o clareamento não muda
Esta é a parte que mais vale saber antes de começar, porque é o que mais frustra depois.
- Restauração, resina, faceta e coroa não clareiam. Quem tem restauração nos dentes da frente vai notar que ela fica mais escura que o dente clareado ao redor, e precisará trocá-la depois. Isso entra no plano desde o começo, com a troca feita só depois que a cor nova estabilizou, cerca de duas semanas após o fim.
- Dente escurecido por trauma ou por tratamento de canal responde pouco ao clareamento externo. Ele escureceu por dentro, e pede técnica diferente: o clareamento interno, em que o gel é colocado dentro do dente, pelo dentista, em sessões separadas.
- Manchas de tetraciclina, aquelas faixas acinzentadas ou amarronzadas de quem usou o antibiótico na infância, vêm de dentro da dentina. Melhoram parcialmente e em tratamentos mais longos, e nem sempre chegam a um resultado uniforme.
- Manchas brancas de fluorose ou de descalcificação podem ficar mais evidentes logo após o clareamento, porque o dente ao redor clareou e elas não. Costumam se atenuar em alguns dias, e existem técnicas próprias para elas quando incomodam.
Quanto dura e o que mancha de novo
O resultado costuma se manter de um a três anos, com variação grande conforme o hábito de cada pessoa. Pigmentam de novo: café, chá preto, chá mate, vinho tinto, refrigerante escuro, molho de soja, açaí, beterraba, cúrcuma e, acima de tudo, cigarro.
Nas primeiras 48 horas o dente está mais permeável, e é quando esses itens pesam mais. É a fase de comer e beber o que é claro. Depois disso, o que segura a cor é rotina: higiene diária, limpeza profissional periódica e, quando indicado, uma manutenção curta com a moldeira em casa, muito mais breve que o tratamento inicial.
Pasta clareadora, gel de internet e "clareamento" de salão
Pasta de dente clareadora remove mancha superficial por abrasão. Ela não muda a cor do dente por dentro, então o efeito é limitado, e o uso contínuo de abrasivo desgasta o esmalte, o que deixa o dente mais amarelado a longo prazo, porque a dentina, que é amarela, fica mais exposta.
Gel comprado pela internet chega sem garantia de concentração nem de procedência, e é usado sem avaliação e sem moldeira sob medida. Os dois problemas mais vistos na clínica são queimadura de gengiva, que dói e leva dias para cicatrizar, e sensibilidade intensa por gel aplicado sobre cárie ou restauração infiltrada que a pessoa não sabia que tinha.
Clareamento dental é procedimento odontológico. Fora do consultório, sem dentista, não há como avaliar o dente antes nem interromper certo quando algo sai do esperado.
Quem não deve fazer, ou deve esperar
- Gestantes e lactantes, por precaução: não há estudo suficiente sobre segurança nesse período, e o clareamento pode esperar.
- Crianças e adolescentes com dentes ainda em formação, por causa da câmara pulpar maior e da sensibilidade. A idade mínima é avaliada caso a caso.
- Quem tem cárie ativa, gengiva inflamada, trinca ou restauração infiltrada precisa tratar isso antes, não durante.
- Quem tem sensibilidade dentária intensa pode fazer, mas com protocolo adaptado e concentração menor.
- Quem tem muitas restaurações ou facetas nos dentes da frente precisa decidir sabendo que elas não vão clarear e que o plano inclui a troca depois.
Clareamento e lente de contato dental na mesma boca
Quando os dois estão no plano, a ordem é clarear primeiro e esperar a cor estabilizar, cerca de duas semanas, antes de definir a cor da cerâmica. O contrário deixa as peças em um tom que não vai combinar com os dentes ao redor depois.
E vale dizer com clareza: em uma parte dos casos o clareamento sozinho entrega o que a pessoa queria, e a lente de contato dental deixa de ser necessária. Quem quer apenas dentes mais claros muitas vezes resolve sem desgastar nada. Essa conversa acontece na avaliação, antes de qualquer procedimento irreversível.
Por que fazer na Adelar
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O compromisso é simples: examinar antes de aplicar qualquer gel, dizer com clareza o que vai clarear e o que não vai, ajustar o protocolo se a sensibilidade aparecer e entregar o plano por escrito com as opções. A decisão fica com você, e pode ser não, ou pode ser outro tratamento.
Responsabilidade técnica da Dra. Mariana Adelar, CRO-GO 16481.