Blog · 09/09/2026 · 8 min de leitura

Tratamento de canal: quando é preciso, se dói e quantas sessões leva

O canal tem fama de doloroso porque as pessoas chegam com dor. O tratamento, feito com anestesia, é o que tira a dor. Aqui está o que ele é, quando é preciso e o que esperar.

O que é
Remoção do nervo inflamado ou morto de dentro do dente
Dói?
Com anestesia, não. Ele tira a dor que já existe
Sessões
Uma a três, conforme o dente e a infecção
Depois
Restauração ou coroa, senão o dente quebra

O que tem dentro do dente

Por fora, esmalte. Embaixo, dentina. E no centro, um espaço oco que vai da coroa até a ponta da raiz, preenchido pela polpa: nervo, vasos sanguíneos e tecido vivo. É a polpa que faz o dente sentir frio e quente, e é ela que se inflama quando uma cárie chega perto, quando o dente leva uma pancada ou quando trinca.

Tratamento de canal, ou endodontia, é a remoção dessa polpa doente de dentro do dente, a limpeza e a desinfecção dos canais da raiz e o preenchimento desse espaço com um material que veda. O dente continua na boca, preso ao osso, funcionando. Ele só deixa de sentir temperatura, porque o nervo foi removido.

Quando o canal é necessário

  • Cárie profunda que chegou à polpa ou a inflamou de forma irreversível. É a causa mais comum. Veja os estágios da cárie.
  • Trauma: pancada no dente, mesmo sem quebrar, pode matar a polpa, às vezes anos depois. O sinal é o dente escurecer.
  • Trinca ou fratura que expõe a polpa.
  • Restaurações muito grandes ou repetidas no mesmo dente, que ao longo dos anos agridem a polpa.
  • Desgaste severo por bruxismo ou erosão, quando a dentina fica tão fina que a polpa se inflama.
  • Por indicação protética: às vezes o canal é feito num dente sem dor, porque ele vai receber um pino e uma coroa e não teria estrutura sem isso.

Os sinais de que a polpa está inflamada ou morta

Em ordem de gravidade, mais ou menos:

  1. Sensibilidade ao frio que passa rápido. Ainda pode ser reversível. Muitas vezes é só uma cárie ou uma retração de gengiva.
  2. Dor ao frio ou ao quente que demora a passar, dez, vinte segundos ou mais depois de tirar o estímulo. Sinal de inflamação que provavelmente não volta atrás.
  3. Dor espontânea, sem estímulo, principalmente à noite ou ao deitar. Pulsátil, latejante. É a inflamação aumentando a pressão dentro de um espaço fechado.
  4. Dor que some de repente. Engana muita gente: a polpa morreu, o nervo parou de avisar. A infecção continua e vai para o osso.
  5. Dor ao mastigar ou ao bater o dente, sensação de dente "alto" ou "crescido". A infecção já está na ponta da raiz.
  6. Inchaço na gengiva ou no rosto, bolinha de pus na gengiva (fístula), gosto ruim, às vezes febre. Abscesso.
  7. Dente escurecido, sem dor nenhuma, meses ou anos depois de uma pancada. Polpa morta silenciosa.
A dor passou. Posso deixar quieto?

Não. Dor de polpa que some sozinha quase sempre significa que o nervo morreu, não que curou. O tecido morto dentro do dente vira alimento para bactérias, que descem pela raiz e infectam o osso ao redor. Isso pode ficar quieto por meses e voltar como abscesso, com inchaço no rosto, ou continuar destruindo osso em silêncio, visível só na radiografia. Um dente com polpa morta é uma infecção esperando o momento, e o tratamento é mais simples antes desse momento.

O canal dói?

O tratamento é feito com anestesia local, e a regra é simples: não se começa sem o dente estar anestesiado, e se doer durante, para e reforça. A fama de doloroso vem de duas coisas: a pessoa chega com muita dor, às vezes há dias, e associa a dor ao tratamento; e em dente com infecção aguda a anestesia pega com mais dificuldade, o que hoje se resolve com técnicas complementares, medicação prévia ou dividindo o tratamento em duas sessões, tratando a infecção primeiro.

Depois da sessão, quando a anestesia passa, é comum sentir o dente dolorido ao morder por alguns dias, principalmente quando havia infecção. É a inflamação do osso ao redor cedendo, e melhora com a medicação indicada. Dor forte e crescente dias depois não é esperada, e merece contato com a clínica.

Como é o tratamento, passo a passo

  1. Diagnóstico

    Exame, teste de sensibilidade ao frio, teste de percussão e radiografia. Às vezes tomografia, quando a anatomia é complexa ou há dúvida sobre trinca. É aqui que se confirma que é canal, e não outra coisa, e que o dente vale a pena ser tratado.

  2. Anestesia e isolamento

    Anestesia local e o isolamento absoluto: uma película de borracha que deixa só o dente exposto, impede saliva de entrar nos canais e protege você de líquidos e instrumentos. É item de segurança, não frescura.

  3. Abertura e remoção da polpa

    Abre-se um acesso pela coroa do dente até o espaço da polpa, e ela é removida com instrumentos finos.

  4. Limpeza e modelagem dos canais

    Cada raiz tem um ou mais canais, às vezes curvos e finos. Eles são medidos (com radiografia e um aparelho eletrônico que localiza a ponta da raiz), limpos e alargados com limas, e irrigados com solução desinfetante. É a etapa mais longa e a que define o sucesso.

  5. Medicação entre sessões

    Quando há infecção, um medicamento fica dentro dos canais por uma ou duas semanas, com o dente fechado com curativo provisório.

  6. Obturação

    Os canais limpos e secos são preenchidos com um material de vedação, para que nada volte a entrar. Radiografia final confere o preenchimento até a ponta da raiz.

  7. Restauração definitiva

    Não é opcional e não é "depois, quando der". Veja abaixo.

Quantas sessões

Dente com polpa viva inflamada, sem infecção, costuma ser resolvido em uma sessão de uma a duas horas. Dente com polpa morta e infecção leva em geral duas a três, por causa da medicação entre elas. Molares, com três ou quatro canais curvos, levam mais tempo que dentes da frente, que têm um só.

O que vem depois: o dente precisa de coroa?

Depois do canal, o dente fica sem a polpa que o hidratava por dentro e, quase sempre, já perdeu muita estrutura para a cárie e para o acesso. Ele fica mais frágil, principalmente os de trás, que recebem a força da mastigação. Por isso:

  • Dentes da frente com pouca perda de estrutura podem receber só uma restauração de resina.
  • Pré-molares e molares precisam, na grande maioria, de uma coroa, ou de uma peça de cerâmica que recubra as cúspides, para não fraturar. Fratura de dente tratado sem coroa é a causa mais comum de perder um dente que já tinha sido salvo pelo canal.
  • Quando sobrou pouco dente, um pino dentro do canal ajuda a segurar a reconstrução antes da coroa.

Deixar o dente com o curativo provisório por meses é o erro mais comum: o provisório desgasta, vaza, as bactérias entram de novo e o canal precisa ser refeito. A restauração definitiva faz parte do tratamento e deve ser feita logo depois de terminado.

Canal ou extração?

Quando o dente tem estrutura para ser restaurado e osso ao redor, o canal é o caminho que preserva o seu dente, e nenhum implante é melhor do que um dente natural bem tratado. A extração fica para quando a fratura vai abaixo da gengiva, quando a raiz está trincada verticalmente ou quando sobrou tão pouco dente que nenhuma reconstrução se sustenta. Nesses casos a conversa sobre implante ou prótese começa cedo, para o espaço não fechar e o osso não se perder.

Na Adelar

A clínica tem endodontista na equipe, com localizador eletrônico de ápice, isolamento absoluto e radiografia digital. A restauração ou a coroa que vem depois é feita na mesma clínica, com o laboratório de prótese dentro dela, sem você precisar contar a história em outro lugar. Conheça a equipe.

Revisado por Dra. Mariana Adelar, CRO-GO 16481, responsável técnica da Adelar Odontologia. Publicado em 09/09/2026.

Perguntas frequentes

Tratamento de canal dói?

Com anestesia local, não. O tratamento não começa sem o dente anestesiado, e se doer durante, para e reforça. A fama vem de a pessoa chegar com muita dor, às vezes há dias, e de infecção aguda dificultar a anestesia, o que hoje se resolve com técnicas complementares ou dividindo o tratamento em sessões. Depois, o dente pode ficar dolorido ao morder por alguns dias, e isso melhora com a medicação.

Quantas sessões leva um tratamento de canal?

Uma a três. Dente com polpa viva inflamada, sem infecção, costuma ser resolvido em uma sessão de uma a duas horas. Dente com polpa morta e infecção leva em geral duas a três, porque fica um medicamento dentro dos canais por uma ou duas semanas entre elas. Molares, com três ou quatro canais, levam mais tempo que dentes da frente.

A dor do dente passou sozinha. Ainda preciso fazer o canal?

Sim. Dor de polpa que some de repente quase sempre significa que o nervo morreu, não que curou. O tecido morto vira alimento para bactérias, que descem pela raiz e infectam o osso. Isso pode ficar quieto por meses e voltar como abscesso, com inchaço no rosto, ou continuar destruindo osso em silêncio. O tratamento é mais simples antes disso acontecer.

Depois do canal o dente precisa de coroa?

Nos dentes de trás, quase sempre sim. O dente tratado perde a hidratação interna e em geral já perdeu muita estrutura para a cárie e para a abertura, ficando frágil sob a força da mastigação. Fratura de dente tratado sem coroa é a causa mais comum de perder um dente que o canal tinha salvado. Dentes da frente com pouca perda de estrutura podem receber só restauração.

Quanto tempo dura um dente com canal?

Um canal bem feito, com o dente restaurado ou coroado logo depois, dura décadas, e pode durar a vida inteira. O que reduz isso é ficar com o curativo provisório por meses, não colocar a coroa nos dentes de trás, cárie nova na margem da restauração e bruxismo sem placa. O dente tratado não sente temperatura, mas continua sujeito a cárie e precisa da mesma higiene.

O que é abscesso no dente e o que fazer?

É o acúmulo de pus na ponta da raiz, causado por polpa morta infectada. Dá dor à mastigação, inchaço na gengiva ou no rosto, às vezes uma bolinha de pus na gengiva, gosto ruim e febre. Não é para esperar: procure a clínica. O tratamento é o canal, às vezes com drenagem e antibiótico antes. Inchaço que cresce rápido, dificuldade para engolir ou abrir a boca e febre alta são sinais de urgência.

Avaliar se é canal

Exame, testes e radiografia para confirmar o que está acontecendo com o dente, e a resposta honesta: restauração, canal ou outro caminho. Plano por escrito antes de qualquer coisa.

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