O que é o freio, e quando ele atrapalha
O freio é aquela prega fina de tecido que liga a língua ao assoalho da boca (freio lingual) ou o lábio à gengiva (freio labial). Todo mundo tem. O problema aparece quando ele é curto demais, grosso demais ou está inserido muito à frente, e passa a limitar o movimento.
É importante separar as duas coisas: existir um freio visível não é diagnóstico. O que define a indicação é a função, ou seja, o que aquela criança consegue ou não consegue fazer por causa dele.
Sinais no bebê
- Dificuldade para pegar o peito ou para manter a pega, soltando o peito com frequência
- Mamadas muito longas, com o bebê cansando antes de esvaziar
- Estalos durante a mamada, e ganho de peso abaixo do esperado
- Dor e fissura no mamilo da mãe, que não melhora com ajuste de posição
- Língua que não passa da gengiva, que não sobe até o céu da boca ou que fica com a ponta em formato de coração ao chorar
No Brasil, a avaliação do frênulo lingual em recém-nascidos é feita ainda na maternidade, por exigência legal. Ainda assim, muitos casos só aparecem depois, quando a amamentação já está em dificuldade, e é possível avaliar a qualquer momento.
Sinais na criança maior
- Dificuldade em sons que dependem da ponta da língua, como R, L, T, D e N
- Não conseguir lamber sorvete, tocar o céu da boca ou limpar os dentes com a língua
- Espaço entre os dentes da frente de cima (diastema) causado por freio labial inserido baixo
- Retração da gengiva entre os incisivos inferiores, puxada pelo freio
- Dificuldade de higiene na região, com inflamação de repetição na gengiva
O espacinho entre os dentes da frente é normal na fase de troca e costuma fechar sozinho quando os caninos permanentes nascem. Só uma parte dos casos tem relação com o freio labial. Por isso a decisão de operar considera a idade, a fase da dentição e o que a radiografia mostra, não apenas a aparência.
Como é o procedimento a laser
A frenectomia é a liberação desse freio. Feita a laser, ela tem características que fazem diferença justamente em criança:
- Sangramento mínimo, porque o próprio laser sela os vasos enquanto trabalha.
- Costuma dispensar pontos, o que elimina a consulta de remoção de sutura e o incômodo do fio.
- Rápida: a parte cirúrgica em si leva poucos minutos, e o tempo maior da consulta é o de acolhimento e explicação.
- Pós-operatório mais confortável, com menos inchaço do que a técnica convencional.
Em bebês, o procedimento é feito com anestesia tópica ou local, conforme o caso, e a mamada logo em seguida é estimulada, porque acalma e ajuda a avaliar a mudança na pega.
O que está incluído
- Os retornos até a alta, para acompanhar a cicatrização e conferir se a função melhorou de fato.
- Laserterapia nos retornos, quando necessário, para aliviar o desconforto do pós-operatório.
Esses retornos não são formalidade. A região tem tendência a cicatrizar se reaproximando, e é o acompanhamento, junto dos exercícios orientados, que garante que o ganho de movimento se mantenha.
O pós-operatório em casa
- Alimentação fria ou morna nas primeiras horas; nada quente.
- É esperado aparecer uma área esbranquiçada ou amarelada no local nos dias seguintes. Não é infecção nem pus: é a cicatrização normal desse tipo de ferida.
- Os exercícios de movimento orientados na consulta são a parte que mais influencia o resultado, e precisam ser feitos com a regularidade combinada.
- Bebê pode ficar mais irritado por um ou dois dias. Mamar costuma acalmar e não prejudica a área.
- Procure a clínica se houver sangramento que não para, febre ou recusa alimentar persistente.
Quando a cirurgia não é o caminho
Nem toda dificuldade de amamentação é freio, e nem toda troca de letra é língua presa. Problemas de pega, posicionamento, fissura mamária e alterações de fala têm outras causas frequentes, e operar sem indicação não resolve nada e ainda cria uma ferida sem motivo.
Por isso a avaliação costuma ser conjunta: a odontopediatria examina a função, e quando faz sentido o caso é discutido com quem acompanha a amamentação ou a fala. A conclusão de que não é caso de cirurgia é um desfecho legítimo da consulta.
Conteúdo informativo, revisto pela responsável técnica Dra. Mariana Adelar (CRO-GO 16481). Não substitui a avaliação presencial: cada criança tem uma boca, uma idade e um histórico.